Relação entre a mobilidade e o nível de resistência a atividade física de crianças e adolescentes brasileiras com paralisia cerebral
Abstract
Introdução: Paralisia Cerebral (PC) é a principal causa de incapacidade física na infância, impactando a qualidade de vida das crianças. A prática de atividades físicas adaptadas é crucial para melhorar a função motora e bem-estar. Objetivo: Avaliar a relação entre mobilidade e a tolerância ao esforço de crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral. Métodos: Estudo transversal, como parte do Projeto “PartiCipa Brasil". Os participantes foram crianças e adolescentes com PC nascidas desde 2007. Os instrumentos Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS), Relato Familiar da Motricidade Grossa (GM-FR) e Escala de Atividade de Resistência Precoce (EASE), foram usados para classificar e avaliar a função motora e tolerância ao esforço, respectivamente. Foram realizados testes de correlação entre os desfechos, testes de diferença entre grupos de crianças que deambulam (GMFCS I-III) e nãodeambulam (GMFCS IV-V) e analise de regressão logística. Resultados: Participaram 134 crianças e adolescentes com média de idade 6,6 anos. A correlação de Spearman revelou uma associação moderadamente positiva (r=0,57; p<0,001) entre GM-FR e EASE, e uma correlação negativa moderada (r=-0,55; p<0,001) entre EASE e GMFCS. O teste-t para grupos revelou diferenças significativas (p<0,001) entre os escores do EASE de crianças ambulantes (GMFCS I, II, III) e não-ambulantes (GMFCS IV, V). A regressão logística mostrou que crianças ambulantes tiveram maior chance de obter escores altos no EASE (RC = 6,8; IC95%: 3,1–14,7), assim como aquelas com maiores pontuações no GM-FR (RC = 7,7; IC95%: 3,5–16,8). Meninos apresentaram 2,4 vezes mais chance de alcançar escores elevados no EASE em comparação às meninas (RC = 2,4; IC95%: 1,2–5). A regressão linear simples indicou que o status de deambulação explicou grande parte da variação do GM-FR (R² = 0,787; p < 0,001), com crianças não ambulantes apresentando cerca de 61 pontos a menos na função motora grossa. Conclusão: Os resultados demonstram uma associação moderada entre mobilidade e tolerância ao esforço em crianças com PC, com diferenças entre crianças que deambulam e não-deambulam. Este estudo poderá nortear futuras intervenções para aumentar a tolerância ao esforço e melhora da mobilidade destes jovens.