MANEJO CLÍNICO E DESAFIOS DO TRATAMENTO DO HIPOTIREOIDISMO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Abstract
O hipotireoidismo representa uma das patologias mais prevalentes na Atenção Primária à Saúde (APS), exigindo rigor clínico para prevenir sobrediagnósticos e sobretratamentos. O objetivo deste estudo foi analisar criticamente as evidências contemporâneas sobre o manejo diagnóstico, farmacológico e não farmacológico do hipotireoidismo na APS. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa realizada na base PubMed, com inclusão de publicações dos últimos cinco anos. Os resultados apontam que a monoterapia com levotiroxina permanece como padrão-ouro no hipotireoidismo manifesto. No entanto, no hipotireoidismo subclínico, a confirmação seriada de exames e a estratificação etária são essenciais para evitar riscos iatrogênicos em idosos decorrentes da patologização do aumento fisiológico do TSH. Níveis de TSH acima de 10 mIU/L correlacionam-se a maior risco de desfechos cardiovasculares e declínio da função renal, respaldando a reposição hormonal. A persistência sintomática associa-se a fatores como baixo letramento em saúde, interações farmacocinéticas e polimorfismos da desiodase 2. Complementarmente, a avaliação funcional (testes de marcha e dinamometria) e a prescrição de exercícios físicos aeróbicos e resistidos destacam-se como estratégias adjuvantes eficazes na atenuação da fadiga, na melhora da composição corporal e na qualidade de vida. Conclui-se que o cuidado na APS deve transcender a meta bioquímica isolada do TSH, estruturando-se no acompanhamento longitudinal, na educação em saúde e na abordagem multiprofissional.